terça-feira, 21 de julho de 2009

Conceito DESERTEC

Dotar a Europa, o Médio Oriente e o Norte de África (EUMENA) dos meios necessários para produzir energia eléctrica a partir dos recursos naturais, de modo sustentável, eis o que se pretende com este conceito. Usar a radiação solar que incide no deserto para produzir energia eléctrica - CSP (Concentrated Solar Power) - e dessalinizar água do mar, em larga escala, pode vir a ser uma realidade. Pretende-se dotar a região EUMENA de uma rede para transporte de energia em HVDC (High Voltage Direct Current; perdas de 3% / 1000 Km) com um custo estimado de 45000 milhões de euros, suportado por 30 países em 10 anos. Este processo de transporte é mais eficiente que a utilização de hidrogénio.

As observações de satélite apontam para uma área da ordem de 0,3% do deserto da região MENA para suprir as necessidades energéticas e de água para a Europa e o Médio Oriente e Norte de África.

Este projecto, para além das questões energéticas tem um impacto directo na criação de postos de trabalho qualificados em países em desenvolvimento. Outro efeito colateral é o envolvimento das três regiões num projecto global, que procura ser sustentável, com
consequências ao nível da estabilidade política e social das nações envolvidas.

Para obter mais informação consulte: http://www.desertec.org

segunda-feira, 27 de abril de 2009

CNN faz reportagem sobre renováveis em Portugal

Nem sempre fazemos ideia do que por cá se faz. Nesta reportagem da CNN Portugal aparece como um país na liderança da utilização de energias renováveis e das tecnologias associadas. O paralelo entre o tempo das descobertas é feito a propósito da redescoberta do mar, desta vez para produzir electricidade através das ondas.

Do solar à eólica, estamos na liderança em produção de energia e de equipamento (produzimos as maiores pás do mundo para geradores eólicos e a tecnologia das cobras para aproveitamento da energia das ondas está a ser desenvolvida em Portugal; não esquecer o importante contributo do CENIMAT da Universidade Nova na área do fotovoltaico).

A investigação associada às energias renováveis é decisiva para tornar Portugal competitivo à escala global. Controlar o processo da "cadeia de produção" (da investigação fundamental, por exemplo, na área dos materiais, ao desenvolvimento de soluções comerciáveis) tem a vantagem de criar mecanismos de financiamento da actividade de investigação dos grupos/centros através, por exemplo, do registo de patentes e das parcerias com a indústria para a fase de desenvolvimento/produção/distribuição. Um bom exemplo desta prática é o que a Universidade Nova está a fazer.

(ver, por exemplo, o Portal de Tecnologia: troca de tecnologias e parcerias)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Faltam Engenheiros deste e do outro lado do Atlântico!!

De acordo com uma notícia recente os EUA estão com 75,000 engenheiros a menos, antes mesmo de ter início a grande actividade em ER que se prevê. Nesta altura é já difícil encontrar um engenheiro electrotécnico "tradicional"...será que a matemática/física também está a "espantar" os candidatos do outro lado do Atlântico? É interessante verificar como a ausência de interesse por disciplinas estruturantes como a matemática e a física e o insucesso nas mesmas (já um dado adquirido e aceite pela maioria dos mortais) pode ter implicações no desenvolvimento das actividades económicas de um país. Sem matemática e física não há engenheiros, sem engenheiros não há tecnologia, seja de energias renováveis, seja outra. Não falamos sequer nas implicações que isso pode ter na produção de conhecimento científico, a base de todo o desenvolvimento tecnológico.

Mas a falta de engenheiros pode também ter outra leitura como, por exemplo, o facto de existirem engenheiros sub-empregados ou desempregados. O preço da educação também não fomenta o aparecimento de engenheiros (ou outros licenciados) e os vencimentos em início de carreira (e de vida profissional) nem sempre são compatíveis com os compromissos financeiros que um jovem tem de assumir... as famosas gerações €500, €700, .....

Dotar um país com os quadros técnicos necessários para implementar uma determinada solução - neste caso a utilização de ER - requer planeamento/visão a longo prazo e decisões políticas: ensino acessível a todos, logo gratuito, financiamento das instituições de ensino superior, aposta na I&DT. E sobre a gratuidade do ensino aproveito para citar Chris Barry (Society of Naval Architects and Marine Engineers):

"But my favorite solution, in the long term, takes a page from my own career. I've worked with or for a lot of India Institute of Technology (IIT) grads. IIT was set up by Nehru to ensure that India had the technical people it needed for its future, though of course it has done a lot for the U.S. as well. IIT used to be very inexpensive, even by Indian standards, so IIT graduated a lot of engineers, economists and others over the years. Likewise, a lot of people I've worked with got a free engineering education from the Coast Guard Academy, the Naval Academy or the Merchant Marine Academy (including my father). Webb Institute of Naval Architecture is also tuition free, though privately supported. Perhaps a free federal institute of technology system might address this problem in the long term. And it might also be a source of research efforts."

Sabemos que o nosso mercado de trabalho ainda não amadureceu o suficiente para absorver engenheiros de "banda estreita" na área das ER. No entanto, existe uma janela temporal para nos prepararmos para as exigências futuras na área das ER e afins. Formar hoje para liderar amanhã. Convinha aproveitar enquanto a janela está aberta.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fraunhofer ISE: células com 41.1% de eficiência

Na corrida à eficiência das células para CPV a europa não fica atrás. Numa notícia da Photovoltaics International (Volume 01-2009, pág.4), anuncia-se que o Instituto Fraunhofer (ISE - Institute for Solar Energy Systems, Alemanha) desenvolveu uma célula de junção tripla GaInP/GaInAs/Ge que apresenta uma eficiência de 41.1% com um factor de concentração de 454.

A crise energética acabou por ter um lado positivo: aumentou o interesse em alternativas limpas, o solar em particular, e promoveu a investigação na área da física do estado sólido para o desenvolvimento de células cada vez mais eficientes. Com estas tecnologias a sairem do domínio das aplicação à exploração espacial - onde a relação custo/benefício não era importante - a indústria vai oferecer soluções cada vez mais eficientes e de menor custo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tecnologias PV em revolução - Células com 42% de Eficiência

A SPIRE vai desenvolver células CPV de junção tripla com rendimentos de 42%:

"We plan to offer our new series of triple junction 'Triathlon' concentrator solar cells to system integrators around the world."

-- Roger Little, Chairman and CEO, Spire Corporation

O projecto foi encomendado pelo NREL (National Renewable Energy Laboratory) do Departamento de Energia dos USA.

“Spire has been involved in the solar energy market for over 25 years. Development of this cell will put us in an excellent position to capitalize on the growing market opportunity for custom gallium arsenide (GaAs) based solar cells for Concentrator Photovoltaic (CPV) systems. Our Spire Semiconductor facility has state-of-the-art capabilities for producing these devices. We plan to offer our new series of triple junction 'Triathlon' concentrator solar cells to system integrators around the world.”

--
Roger Little, chairman and CEO of Spire Corporation.

O mercado do CPV está em grande expansão e a prova disso são os investimentos que estão a ser feitos. Neste caso trata-se de um investimento de $2,96 milhões.